O QUIXOTESCO ARTISTA DO SÉCULO XXI
O QUIXOTESCO ARTISTA DO SÉCULO XXI
Um ser estranho, o artista de teatro contemporâneo que nada tem de concreto, está sempre em crise, não tem décimo terceiro, aposentadoria, vive de restrições e ainda sente-se livre. Seu oxigênio são as suas ficções, deslumbra-se com os seus enredos, convive e dialoga com os seus personagens, emociona-se a cada sessão como se fosse única.
Já, no século XXI, esse artista precisa deixar de lado, os seus instintos, inspirações e aspirações criativas, como uma conserva descansando na prateleira. Como lidar com a realidade ou com a materialidade de nossos tempos, onde a cultura, as artes, as ações sociais e educativas, caminham cambaleantes em detrimento de um pensamento exclusivamente econômico? Hoje o artista brasileiro metamorfoseia-se, em um fazedor de projetos pré-fabricados a espera de uma demanda.
Assim, esse ser quixotesco vai se reinventando, deixando de lado aquele instinto romântico e irreverente dos saltimbancos que produziam uma arte artesanal e orgânica. Dá lugar ao artista pós-moderno, tenso de testa franzida e ansioso, que deve tirar da cartola conhecimentos em seguimentos das ciências exatas, algo que por séculos caminhou na contra mão de sua natureza imaginativa.
Não é uma contradição? Tanto sacrifício para que os editais absorvam apenas 10% do mercado, enquanto os outros 90% fique a ver navios? Não é essa, a maior das ficções?
O artista atual se encontra asfixiado. Novas políticas culturais integradas, mais democráticas e inclusivas, devem ser criadas para fomentar o setor, ao invés dos cortes orçamentários, do fim dos órgãos culturais ou da criminalização e burocratização das leis de incentivos.
Como disse o poeta Ferreira Gullar, "A arte existe porque a vida não basta".

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